domingo, 24 de julho de 2011

SOCIOLOGIA: Domenico De Masi (Itália / 1938 - hoje)

Há anos sou um grande entusiasta de Domenico De Masi, pela sua sublime criatividade e visão do futuro. Seus livros são compêndios imperdíveis de conhecimento histórico e humano, físico e emocional. A cultura em seus escritos aflora em todas as frases e páginas. Suas idéias envolvem diversas ciências como arquitetura, história, filosofia e muitas vezes literatura. De Masi divaga citando gênios da humanidade para criar uma linguagem própria e forjar suas conclusões sobre o cenário atual da humanidade no planeta e postular o futuro.

Acabo de ler a introdução da sua obra intitulada "Criatividade e Grupos Criativos".
Encantei-me por esta passagem:

"Vivemos por muito mais tempo que nossos ancestrais; a ciência nos convence a ter uma expectativa de vida não somente mais longa mas também mais sadia; dispomos de prodigiosas próteses tecnológicas, capazes de multiplicar a potência de nossos sentidos, a velocidade dos nossos cálculos, o alcance da nossa memória e o número das nossas relações. Porém, a consciência e o usufruto dessas novas possibilidades não dependem da existência das mesmas, mas da disposição cultural de cada indivíduo de reconhecê-las e apreciá-las em todas as suas dimensões. E esta disposição, por sua vez, é influenciada pelo clima geral que há em torno, pela atitude diante da vida, pela confiança nos demais, assim como pelo hábito de confrontar preconceitos com os dados de fato; em suma, por aquele conjunto de opiniões, emoções e sentimentos que, bombardeados pela mídia, acabam adoçando a nossa vida com a serenidade ou afogando-a na angústia."



Domenico de Masi

quinta-feira, 9 de junho de 2011

LITERATURA: Carl Sagan (EUA / 1934-1996)

Voltando a citar Carl Sagan, porém desta vez ambientando levemente sobre o romance "Contato", onde dois cientistas, Ellie e Der Heer apaixonam-se. A reunião de seus intelectos numa atmosfera romântica, límpida e vívida transforma suas observações em verdadeiras aulas de como celebrar e entender a vida.

"Der Heer fizera com que uma linda lagarta azul subisse num pauzinho. O animal avançava resolutamente, ondulando o corpo iridescente com movimentos de seus catorze pares de pernas. No fim da vareta, segurava-se com os cinco últimos segmentos e se agitava no ar, numa valente tentativa de encontrar novo apoio. Não conseguindo êxito, virava-se em torno de sim mesmo e refazia o longo caminho. Então Der Heer  segurava o pauzinho com a outra mão, de modo que, quando a lagarta chegava ao ponto de partida, mais uma vez não achava aonde ir. Como um mamífero vivo enjaulado, a lagarta caminhou de um lado ao outro várias vezes; nas últimas passagens - Ellie teve a impressão -, com crescente impaciência. Ela começava a sentir pena da pobre criatura.

'Que programa maravilhoso existe na cabecinha dessa coisa!', exclamou Der Heer. 'Funciona sempre... Um programa ideal de fuga. E ela sabe como não cair. Quero dizer, o pauzinho está para todos os efeitos práticos, solto no ar. A lagarta nunca passa por essa experiência na natureza, pois o pauzinho está sempre ligado a alguma coisa. Você já imaginou, Ellie, como seria ter esse programa na sua cabeça? Quero dizer, seria óbvio para você que deveria fazer quando chegasse ao fim de um pauzinho? Você teria a impressão de estar raciocinando? Você ficaria imaginando como é que sabia balançar seus dez pés anteriores no ar, enquanto se segurasse firme com os outros dezoito?'

Ellie inclinou ligeiramente a cabeça e examinou Der Heer, não a lagarta. A ele não parecia difícil imaginá-la como um inseto. Tentou responder de modo neutro, lembrando-se de que para ele aquilo representava um interesse profissional.

'Que vai fazer com a lagarta agora?'
'Ora, vou colocá-la na grama. Que mais poderia fazer?'
'Algumas pessoas a matariam'
'É difícil matar uma criatura depois que se tem um vislumbre de sua consciência.'"

E a estória segue de forma brilhante e encantadora, em uma alegoria de como seria diferente o mundo se o víssemos através dos olhos de Der Heer.


(Carl Sagan)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

FILOSOFIA: Voltaire (França / 1694-1778)

Voltaire foi um revolucionário, esteve muito à frente de seus dias. Defendeu a liberdade de pensamento, escreveu livros, cartas, panfletos. Lutou com todas as forças contra a opressão da igreja e do estado, foi preso, exilado, foi conselheiro de reis. Mas o mais importante é que sua voz ecoa eternizada em seus versos.

Voltaire continua influenciando com suas brilhantes idéias, sua percepção e visão behaviorista da natureza, suas trasncrições lúcidas da verdade, ainda que de forma cartesiana, porém com grande carga emocional.

Dentre alguns escritos, há anos tenho relido estes trechos fotocopiados de um antigo livro. Faz parte do dicionário filosófico de Voltaire, e nesta breve definição, vemos o quão impressionado e emocionado é o autor com relação aos privilégios da espécie humana em usufruir do sentimento mais sublime, o amor.




Voltaire



sexta-feira, 15 de abril de 2011

FILOSOFIA: Confucionismo (China / aprox. 500 A.C.)

As idéias de um monge chinês, popularmente conhecido como Confúcio, deram origem há muito tempo à uma escola de conduta chamada Confucionismo. Resumindo rapidamente, eram normas de conduta que se estudadas e levadas como forma de encarar a vida, ajudavam a iluminar as pessoas e entender melhor toda a experiência de vida, entre as pessoas, consigo e para com a sociedade e natureza.

Dentre uma das passagens do Confucionismo, esta muito me agrada. Como é bom quando alguém consegue expressar com riqueza através de palavras e sentimentos algo que ainda é apenas uma pequena fagulha dentro de nós!

"O povo antigo, que aspirava à clara harmonia moral do mundo, punha primeiro em ordem a sua vida nacional; os que desejavam ordenar sua vida nacional regulavam primeiro sua vida familiar; os que desejavam regular sua vida familiar cultivavam suas vidas pessoais; os que desejavam cultivar suas vidas pessoais arranjavam primeiro seus corações; os que desejavam consertar seus corações tornavam primeiro sincera a sua vontade; os que desejavam tornar sincera a sua vontade chegavam primeiro a compreensão; a compreensão provém da exploração do conhecimento das coisas. Quando se alcança o conhecimento das coisas, atinge-se a compreensão;  quando se atinge a compreensão, a vontade é sincera, o coração se concerta; quando o coração se concerta, cultiva-se a vida pessoal; quando se cultiva a vida pessoal, regula-se a vida familiar; quando se regula a vida familiar, a vida nacional é ordenada; quando a vida nacional é ordenada, o mundo está em paz. Desde o imperador até o homem comum, o cultivo da vida pessoal é a base de tudo. É impossível que, quando o alicerce não esteja firme, se ache firme a superestrutura. Nunca houve uma árvore de tronco fino cujo os galhos fossem pesados e fortes. Há uma causa e uma conseqüência nas coisas, e um começo e um fim nos assuntos humanos. Conhecer a ordem de precedência é possuir o começo da sabedoria".

E logo tudo se faz tão claro quando vemos que os grossos e vigorosos galhos do congresso nacional e todos os órgãos reguladores, os quais deveriam modelar nossa vida social estão apoiados sobre o frágil e raquítico caráter de políticos pobres de alma. Com suas vidas extremamente mal resolvidas, pouco sábios, que quiçá tem a experiência da sabedoria das coisas. Gente que deveria voltar para a escola, a escola que deveria ter o Confucionismo como preceito básico.



Símbolo do Confucionismo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

FILOSOFIA: Lin Yutang (China / 1895-1976)

Quanta felicidade me trouxe a indicação do livro "A Importância de Viver". Veio do Vietnam, de onde a Emilie de Lassus viu este blog e começamos uma correspondência a respeito dos valores, cultura e da sociedade atual, com sua velocidade e peculiaridades. O interesse de ambos em filosofia estreitou nossa amizade virtual e ela indicou-me Lin Yutang, que proveitosa dica!


Lin Yutang, é chinês e estudou filosofia pelo mundo. Conseguiu com maestria fazer belas e poéticas críticas ao pensamento de várias culturas milenares. Sua perspicácia é brilhante!


Em uma das passagens do livro que muito me agradaram, destaco este parágrafo que para mim soa como ode espiritualizante, deixando clara a importância de valorizarmos a vida a cada segundo:


"Às vezes penso que terrível castigo para um anjo ou espectro seria não ter corpo, olhar um arroio de água fresca e não ter pés que submergir ali para gozar a deliciosa sensação de frialidade, ver um prato de pato de Pequim ou de Long Island e não ter língua para saboreá-lo, ver uns bolinhos e não ter dentes para comê-los, ver as amadas faces daqueles  a quem queremos e não ter emoções a sentir perante eles. Terrivelmente triste seria que um belo dia voltássemos a este mundo como espectros e silenciosamente nos dirigíssemos ao dormitório de nossos filhos: ver um menino deitado na sua pequena cama e não ter mãos para acariciá-lo nem braços para abraçá-lo, nem peito para que nele penetre o seu calor, nem ter o côncavo entre o queixo e o ombro, onde ele aninhe a sua cabecinha, nem ter ouvidos para ouvir sua voz..."



Lin Yutang

sexta-feira, 25 de março de 2011

MUSICA: John Butler Trio - (Austrália / 2002)

Já fui um fã fervoroso de John Butler Trio. Tão logo quanto comecei a entender as letras e o propósito de seus ideais, vi-me imediatamente fascinado. Ele não é apenas um músico, mas também um pensador e um crítico dos rumos da humanidade, princípios, ecologia, política. Não é apenas engajado filosoficamente, mas sua crítica é direta e incisiva, vai direto ao ponto. Algumas de suas músicas mais intensas não tem rodeios nem poesia, é perfeitamente claro o objetivo, fala direto.

A qualidade musical é estupenda. Um rock de verdade, puro na essência. John é perito no violão, com seis ou doze cordas e slide guitarJason McGann mandando perfeitamente na bateria e Gavin Shoesmith massageando as poderosas cordas do contra baixo formaram até 2009 o trio que representa muito bem em jams e electro reggaes impressionantes.



John Butler Trio (em sua primeira e original formação)




A música "Money" do álbum "Tree" de 2002 é muito forte. Mostra toda a repulsa pela ganância da humanidade, pela destruição da natureza e dos princípios e valores morais da sociedade em prol de lucros desenfreados num cenário de capitalismo doentio. É um hino perfeito para ilustrar a crise nuclear (que também é mencionada na letra), e que agora em 2011, vem a ficar evidente com o Tsunami do Japão. "Money" é uma pintura contemporânea onde primeiro som de introdução é de um Didjeridoo (instrumento usado pelos aborígenes australianos) e segue com um canto em voz ancestral de um aborígene, que clama em seu choro pela devastação de seus territórios e recursos naturais. A música prossegue em crescente tensão espiritual e musical, com letras de impressionar e chocar completamente qualquer ser humano que tenha um pingo de consciência. Depois de todo o clamor levantado por Butler, segue uma jam session de todos os instrumentais da banda que incendeiam a alma e a psique humana, levando a um padrão energético capaz de fazermos sentir queimar a pele em toda a superfície. Brilhante, emocionante, petrificante, preocupante, alarmante e tudo feito com amor ao que o homem deveria sentir pelo Universo. 


Música "Money" no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=B6bO_fkEBXA




Money


Well I hope you find your way
Through every heart wrenching day
With all those shitty decisions that you make
Hell I know the games, I know the games you play

So do you think you got enough time
To open all of your uranium mines
Before yes you go and you poison us all
You know your profit man it's gonna take its toll

And I don't know who you are
I don't know where you come from
I just know it is to hell you're going cos
You pollute everything with you big business
And I know it's all for your money
Hell yeah, all for your money
All for your money
Tell me man it's all for your money

So go now you go and you rape this Earth
You take her for what you think she'd worth
But you take and you take and you take til there's nothing left
I don't call that business, I call that theft

So who do the Hell do you think you are
Why do you got to take things so far
You know you screw the Earth and then you look towards the stars
Tell me man why do you got to take things so far

And I don't know who you are
I don't know where you come from
I just know it is to hell you're going cos
You ruin everything with you big business
And I know it's all for your money 

All for your money
Sweeter than honey
All for your Money
Tell me man can you eat your money
Tell me man can you eat your money
Cos that's what's gonna be left, that's what's gonna be left
So tell me man can you eat your money 

Business man with your uranium mine,
will you gain a conscience
Politician man, there in your Government,
will you gain a conscience
Media man with all your newspapers,
Who lies must gain a conscience
Prime Minister with all our apathy,
will you GAIN A CONSCIENCE!

segunda-feira, 14 de março de 2011

FILME: Herói (2002) / título original: Ying Xiong (China)

Um incitador. Talvez um dos filmes mais brilhantes do cinema mundial. Forjado dentro das normas de conduta e códigos de ética dos guerreiros e da filosofia chineses, O Herói é um épico que arranca suspiros e aplausos. No século III antes de Cristo, o líder tirano da província de Qin pretende unificar a China. Três famosos guerreiros, os quais ele não consegue derrotar, se opõem à este domínio. Certo dia, um desconhecido xerife rural vai até o palácio, carregando evidências de que ele haveria derrotado a todos sozinho. Através de uma narrativa inspirada no filme clássico Rashõmon (1950), do famoso diretor japonês Akira Kurosawa (1910-1998), a trama se desenvolve em cenas lúdicas com diferentes cores e texturas, alterando também entre cenas coloridas e em preto e branco.

O Herói não pode ser enquadrado dentro de um único gênero, pois tem cenas de ação de tirar o fôlego, efeitos especiais lindos, muito drama e romance ao melhor estilo Shakespeare. Tampouco deve ser visto como um filme comum, pois passa longe da linguagem que estamos habituados no ocidente, o que restringe o filme a poucos espectadores. Uma película que pode ser definida como verdadeira obra de arte, para ser apreciada e cultuada em toda sua magnitude.


Trailer do filme Herói no You Tube:

MEDICINA / ANTROPOLOGIA: Margaret Lock (Inglaterra - 19??)

Estudiosa de acupuntura, fluente em língua japonesa e no desenvolvimento da medicina leste-chinesa no Japão no século passado, Margaret Lock é uma pensadora e catalisadora do bem estar humano. Agradou-me muito uma citação sua no livro Sabedoria Incomum, de Fritjof Capra:

"...de acordo com os chineses, é nossa responsabilidade pessoal buscar a saúde cuidando do nosso corpo, respeitando as normas sociais e vivendo de acordo com as leis do universo. A doença é vista como um sinal de falta de cuidado por parte do indivíduo.

...Na medicina ocidental, o médico de melhor reputação é o especialista, aquele que tem um conhecimento detalhado de uma parte específica do corpo. Na medicina chinesa, o médico ideal é um sábio que conhece a maneira como todos os padrões do universo trabalham juntos, que trata individualmente de cada paciente e que registra de forma mais completa possível o estado global da mente e do corpo e sua relação com o ambiente natural e social. No que se refere ao tratamento, espera-se que apenas uma pequena parte dele seja iniciada pelo médico e ocorra na sua presença. Uma técnica terapêutica é vista, pelos médicos e pelos pacientes, como uma espécie de catalisador do processo natural de cura."


Margaret Lock

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LITERATURA: Carl Sagan (EUA / 1934-1996)

"Algumas mulheres, ao que parecia, eram inteiramente destituídas de malícia e concediam seus afetos sem um único instante de reflexão consciente. Outras se dispunham de uma campanha de precisão militar, prevendo situações de emergência e posições de recuo, com o único intuito de 'fisgar' um homem desejável. A palavra desejável revelava tudo. O pobre coitado na verdade não era desejado, apenas 'desejável' - um plausível objeto de interesse na opinião de tais moças, que armavam toda essa deplorável charada. A maioria das mulheres, refletia, colocava-se num meio-termo, buscando conciliar suas paixões com aquilo que acreditavam ser sua conveniência a longo prazo. Talvez houvesse comunicações entre o amor e o egoísmo que escapassem à observação do consciente. No entanto, a simples idéia de uma captura calculada a fazia estremecer. Nesse assunto, concluiu, ela se colocava ao lado da espontaneidade." (Carl Sagan - no romance "Contato")



Carl Sagan

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

MUSICA: Animal Liberation Orchestra (EUA - 2007)

ALO é doce, quente, tem swing, é cheio de vida. O entrosamento entre os integrantes da banda, sua sincronicidade, os arranjos instrumentais e vocais são únicos.

Seus versos poéticos fluem com uma energia mágica. É impossível não se emocionar, dançar, cantar e querer viver a vida em toda sua magnitude e intensidade ao ouvir o som de Animal Liberation Orchestra.

Zach Gill acaricia as teclas do piano enquanto sua voz aveludada derrete nossos sentidos. A bateria de Dave Brogan tem um compasso perfeito e arranjos com influências de jazz e blues. Tudo isso enquanto Steve Adams marca nossas freqüências cardíacas com as notas do baixo e Dan Lebowitz improvisa variando entre violão, guitarra e slide guitar.

As letras e composições são inspiração para a vida inteira como conduta e aprimoramento dos princípios humanos, incitando a paz de espírito que deveríamos ter como ideais filosóficos.

Anima Liberation Orchestra


O álbum "Roses & Clover" é uma excelente pedida para começar a explorar ALO.



E a música "Maria" tem vida própria.

Vídeoclipe oficial da música "Maria", do Animal Liberation Orchestra:
http://www.youtube.com/watch?v=SxdXgYVM9bw

Maria - ALO
"Oh maria
I’m in the dark
Searchin’ for something that’s already in my heart
You are the moonlight
My source of heat
Glowing so strong & pure
So soft & sweet
Well I’m just overflowin’ with love for you

Cuz you fill my cup & my body too
Yeah, Cuz you fill my cup & my body too

Oh maria
I know I should
I should get back to you now
Just like I said I would
You are an ocean
My __ sea
I think ahead for the days your waves will envelop me
Well I’m just overflowin’ with love for you

Cuz you fill my cup & my body too
Yeah, Cuz you fill my cup & my body too

And if we lose
Our balance
& we start
To drift & fall
& we wind up
On our knees
We’ll remember
We still can crawl

Oh my sweetness
You know that I
I wanna’ walk with you into these restless times
My maria
So endlessly
Flowin’ through my veins & through my dreams
I’m just bubblin’ over with gratitude
Cuz you take my dreams & you make them true
I’m just bubblin’ over with love for you
Cuz you fill my cup & my body too
Yeah, Cuz you fill my cup & my body too"



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

FILOSOFIA: Spinoza (Amsterdã / 1632 - 1677)

“É pois próprio do homem sábio usar das coisas e desfrutá-las na medida do possível (sem chegar até o fastio, que já não é gozar prazer). O que é propício a um homem sábio, repito, é se utilizar da reflexão; e, para a reparação de suas forças, se utilizar também de alimentos saudáveis e bebidas agradáveis tomadas em quantidades moderadas, assim como não desprezar os perfumes, o encanto das plantas, a compostura, a música, os jogos que exercitam o corpo, os espetáculos e tantas outras coisas semelhantes e que todos podem se utilizar sem prejuízo alheio. O corpo humano compõe-se de um grande número de partes que requerem de contínuo uma alimentação nova e variada, para que, desse modo, todo corpo seja igualmente apto para o desenvolvimento da sua natureza e a alma tenha também aptidões para compreender, por sua vez, muitas coisas. Esta maneira de ordenar a vida acha-se perfeitamente de acordo como nossos princípios e com a prática usual; nenhuma regra de vida é melhor nem mais recomendável, sob todos os aspectos.”


Spinoza

domingo, 6 de fevereiro de 2011

MÚSICA: Kings of Convenience (Noruega 2004)

A arte é uma coisa magnífica, um um jogo de livre criação é interpretação. Lembro como se fosse ontem a primeira vez que ouvi Kings of Convenience. Era um filme lindo, cheio de poesia e significados, evolução espiritual. Depois fui aprendendo mais sobre a banda, fiquei totalmente encantado.

Tive o grande privilégio de assistir no TAC de Florianópolis uma apresentação solo de Erlend Øye, a principal voz e compositor das músicas. Foi maravilhoso, eram pouco mais de 40 pessoas vendo em exemplo de pessoa, de conduta, quase uma entidade divina a inspirar-nos.


A música Gold in the Air of Summer tem sido uma das minhas prediletas da banda. Acho incrível como uma letra que parece melancólica pode dar tanta alegria de estar vivo, felicidade em ter consciência de que aprender, errar, amar, viver, sofrer são processos naturais e não podemos nos livrar deles, mas nos acostumarmos e aprimorarmo-nos.


Música Gold in the Air of Summer no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=pNVFTVNqtHc


Gold In The Air Of Summer
"Without giving anything away
I can say it's by the sea
It's a house that used to be
The home of a friend of mine

Without giving anything away
You'll find ships inside of bottles
When the garden's overgrown
The house is white, but the paint is coming off

I didn't know if you wanted to
But I came to pick you up
You didn't even hesitate
And now you and me are on our way
I think I've bought everything we need
Don't look back, don't think of the
Other places you should've been
It's a good thing that you came along with me

Gold in the air of summer
You'll shine like gold in the air of summer
You'll shine like gold in the air of summer
You'll shine like gold in the air of summer"





Erlend Øye

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

FILOSOFIA: Lewis Mumford (EUA / 1885 - 1990)

"Todas as perguntas feitas pelo homem acerca de sua vida são multiplicadas pelo fenômeno da morte;  pois o homem parece distinguir-se de todos os outros animais pela consciência que tem de sua própria morte e pela relutância em participar do destino natural de todos os seres vivos. Com a maçã, que deu ao homem o conhecimento do bem e do mal, a árvore da ciência produziu também um fruto mais amargo, que o homem colheu de seus ramos: a consciência da brevidade da vida individual e da morte como seu fim. Em sua luta contra a morte, não raro o homem tem atingido a um máximo de afirmação da vida: como a criança que na praia se obstina a todo custo, em levantar as paredes de seu castelo de areia antes que venha arrasá-lo a próxima onda, assim o homem, freqüentemente, faz da morte o centro de seus mais preciosos esforços, tirando da rocha os seus templos, construindo, acumulando pirâmides sobre o deserto, transformando os arremedos de força humana em visões de onipotência divina, eternizando no mármore a beleza humana, traduzindo a humana experiência na palavra impressa, e até mesmo o tempo num simulacro de eternidade, quando a arte lhe detém o curso.

Todos os seres vivos são atingidos pela morte. Desses seres é, entretanto, o homem o único que conseguiu criar, da ameaça constante da morte, uma vontade de perdurar e, do desejo de continuidade e de imortalidade em todas as suas múltiplas e concebíveis formas, uma espécie de vida mais rica de sentido, na qual o Homem redime a precariedade do indivíduo."

(Lewis Mumford)

domingo, 30 de janeiro de 2011

MÚSICA: Fat Freddy's Drop (Nova Zelândia - 2009)

Fazer amor com o Universo, com o mundo, com o vento que sopra em meu rosto, com toda a extensão da existência. Quando dedico todos os sentidos para apreciar a música "Breakthrough" da banda Fat Freddy's Drop, esta é a definição que mais se aproxima. O toque dos instrumentos, a forma como ela se desenrola e como combina com a deliciosa letra. É doce, sublime, é digna de uma genialidade ímpar. "Breakthough" é um mantra contemporâneo, capaz de fazer-me esquecer medos, problemas, fraquezas e sentir com a extensão da pele a citação do trecho de "Devaneios de um passeante solitário" de Rousseau. É um dos melhores sentimentos que posso usufruir em meu ser.

Breakthrough, música do Fat Freddy's Drop, no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=-gqgKJwvBi4

Breakthrough
I'm looking out from my station
Feeling a love that lives in creation
I see the sun from my window
Waking up hopeful I wanna let go
I'd give it up for the sweet sound
Moving around my soul I wanna get down
I need someone here to talk to
You and I could be the next ones to break

Breakthrough (x7)
Whatever we do

I wanna wake up with the sun
Come wake up with the sun yeah

I want wake up with the sun on my face
Another night has come and gone
I want to never want for anything today
Except someone here to talk to
You and I could be the next ones to break-

Breakthrough (x7)
Whatever we do
I want to wake up with the sun

I wanna wake up with the sun
Wake up with the sun
Wake up with the sun... 




sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

FILOSOFIA: Henry David Thoreau (EUA / 1817 - 1862)

"Alguns homens podem ser apenas meus conhecidos, porém aquele que me acostumei a considerar, a idealizar, a imaginar como amigo, ligando-o intimamente a mim mesmo, não poderá nunca degenerar num simples conhecimento. Ou o manterei num plano elevado, ou o ignorarei de todo. Não nos confessamos nem nos explicamos porque ambicionamos estar tão intimamente ligados a ponto de nos compreendermos sem precisar falar. Nosso amigo precisa ser compreensivo. Sua atmosfera deve ser coextensiva ao universo, para nela podermos nos expandir e respirar. Pois o mais das vezes nos sufocamos e nos asfixiamos mutuamente. Quando visito meu amigo, experimento a sua atmosfera. Se as nossas atmosferas não se harmonizam, se nos repelimos fortemente, é inútil ficar.

Quão mesquinhas são as nossas relações mútuas. Esperemos até que elas sejam mais nobres. Um pouco de silêncio e de descanso fazem bem. Seria bastante cultivar as verdadeiras.

As mais ricas dádivas que podemos conceder são as menos negociáveis. Detestamos a bondade que compreendemos. Uma pessoa nobre não se confia inteiramente. Talvez para a amizade seja apenas essencial que um deposite no outro uma certa confiança vital. Sinto-me tocado e posto à prova, até às mais remotas partes do meu ser, quando alguém demonstra nobreza e fé implícita em mim, mesmo em coisas triviais. Quando tais mercadorias divinas estão tão próximas e são tão baratas, como é estranho que precisemos descobri-las diariamente. Uma ameaça ou uma praga podem ser esquecidas, porém uma confiança humilde me transporta. Não sou mais desta terra; ela age dinamicamente e transforma minha própria existência. Não posso fazer o que faria antes. Não posso ser o que era antes. Outras correntes podem partir-se, porém, no mais escuro da noite, no mais remoto lugar, eu sigo este fio. Então as coisas podem 'acontecer'. O que aconteceria se, por um momento, Deus confiasse em nós? Não seríamos deuses, então?"

 (Thoreau) 

MÚSICA: The Temper Trap (Austrália - 2009)

A música é algo que fascina minha alma. As melhores para mim ainda não são composições clássicas de grande complexidade e harmonia instrumental. Mas aquelas sutis e suaves, ou mesmo aceleradas e cheias de energia. As que realmente me emocionam são as que combinam letras maravilhosamente escritas, com ensinamentos e pensamentos energizantes e tocadas num ritmo que conduz naturalmente para que a idéia seja interiorizada.

Já tive pontos de vista alterados e muitos ensinamentos fazem agora parte do que sou através das criações de músicos contemporâneos. A clareza das letras e instrumental do The Temper Trap, banda recém formada na Austrália, leva-me a lugares oníricos, perfeitos. Subjetividade e objetividade se mesclam em divina harmonia para forjar poesia sonora.

Fools, música do The Temper Trap, no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=GnppN2FLzSQ


THE TEMPER TRAP - FOOLS

Fools
They don't know
What they're on about
Those fools
Don't get my dreams

And I want it, I want it, I want it
And I want it, I want it, I want it
All
When you can't wait
To watch me fall

High
Singin' stories on a wrecking ball
Colliding fast
To bring you down

If you want it, you want it, you want it
If you want it, you want it, you want it
All
Sometimes
Things we build
To fall

And I want it, I want it, I want it
And I want it, I want it, I want it
All
The Temper Trap

FILOSOFIA: Jean-Jacques Rousseau (Suíça / 1712 - 1778)

"...como podemos chamar felicidade a um estado fugidio, que nos deixa o coração inquieto, que nos faz lamentar alguma coisa antes ou desejar ainda alguma coisa depois?"

"Mas se há um estado em que a alma encontra apoio bastante firme para repousar, para reunir todo o seu ser, sem ser preciso invocar o passado nem se projetar sobre o futuro, onde o tempo nada é e onde o presente dura sempre... esse sentimento é o da nossa existência, da nossa plena existência."

Rousseau em uma de minhas obras prediletas:
"Devaneios de um Passeante Solitário"