sexta-feira, 26 de julho de 2013

LITERATURA: Isabel Allende (Peru/Chile / 1942-hoje)

"No que se refere à alimentação e à sexualidade, a natureza exige um mínimo, bastante simples, destinado à preservação do indivíduo e da espécie; o resto são ornamentos ou subterfúgios que inventamos para festejar a vida. A imaginação é um demônio persistente, e sem ela o mundo seria branco e preto, viveríamos em um paraíso de militares, fundamentalistas e burocratas, em que a energia hoje investida na boa mesa e no bom amor seria destinada a outros fins, como matar uns aos outros com maior disciplina. Se nos alimentássemos apenas de frutas silvestres e copulássemos com a inocência dos coelhos, pouparíamos muita literatura sobre esses temas, milhares de arvores escapariam da fatalidade de se transformarem em polpa e os sete pecados capitais não incluiriam a luxuria e a gula, e com isso aumentaria significativamente o número de almas no Paraíso. Mas a natureza nos dotou - ou nos maldisse - de um cérebro insaciável, capaz de imaginar não só todo tipo de comidas maravilhosas e variantes amorosas, como também as culpas e castigos correspondentes."


Isabel Allende

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