Alvin Toffler
Desde que tive consciência do poder da idéia, um novo capítulo começara em minha vida. Pensadores, cientistas e filósofos a partir de então passaram a transformar minha mente, mudar meus conceitos, quebrar paradigmas. Anotar e refletir sobre os sentimentos mais puros lançados por estas mentes maravilhosas é um de meus maiores prazeres.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
LITERATUA E SOCIOLOGIA: Alvin Toffler (Estados Unidos / 1928 - Hoje)
“Portanto, somos nós, aqui, a ter a responsabilidade da mudança. Devemos começar por nós mesmos, aprendendo a não rejeitar antecipadamente o novo, o surpreendente, aquilo que parece ser radical. Isto significa afastar os destruidores de ideias, que apressadamente reprovam qualquer proposta nova como irracional. Eles defendem tudo aquilo que já existe como racional, independente de quanto possa ser absurdo ou superado. Isto significa lutar pela liberdade de expressão e pelo direito de manisfestar as próprias ideias, mesmo quando heréticas, e isto significa iniciar já este processo de reconstrução, antes que a ulterior degradação dos sistemas políticos faça retornar nas praças o totalitarismo, tornando impossível uma transição pacífica rumo à democracia do século XXI. Se começarmos agora, nós e nossos filhos poderemos participar da reconstrução não somente das nossas obsoletas estruturas políticas, mas da nossa própria civilização. Como a geração de revolucionários do passado, nós temos um destino a criar.”
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
LITERATURA: Vinicius de Moraes (Brasil / 1913 - 1980)
"Sim, teve medo. E quem, em seu lugar, não o teria? Ele não nascera para morrer assim, para morrer antes de sua própria morte. Nascera para a vida e suas dádivas mais ardentes, num mundo de poesia e música, configurado na face da mulher, na face do amigo e na face do povo. Se tivesse tido tempo de correr pela campina, seu corpo de poeta-pássaro ter-se-ia certamente libertado das contingências físicas e alçado voo para os espaços além; pois tal era sua ânsia de viver para poder cantar, cada vez mais longe e cada vez melhor, o amor, o grande amor que era nele sentimento de permanência e sensação de eternidade."
Vinicius de Moraes
domingo, 29 de dezembro de 2013
LITERATURA: Umberto Eco (Itália / 1932 - Hoje)
"Que gosto tem viver uma história se depois não se pode, não digo contar para os amigos, mas saboreá-la de novo nas noites de tempestade, encolhido sob os cobertores?"
"O belo de ter amado está em recordar que amou."
"Nada poderá tirar-me da mente que este mundo é fruto de um deus tenebroso cuja sombra eu prolongo."
"No sangue, que tem difusões de chama em tuas faces, o cosmos cria seus risos."
"O belo de ter amado está em recordar que amou."
"Nada poderá tirar-me da mente que este mundo é fruto de um deus tenebroso cuja sombra eu prolongo."
"No sangue, que tem difusões de chama em tuas faces, o cosmos cria seus risos."
Umberto Eco
sábado, 28 de dezembro de 2013
ENSAIOS PESSOAIS: Tempo é luxo
O tempo é o
novo luxo. Se a vida é nosso ativo mais preciso, sentir o pulso, quem sou, o
ser que desenrola em minha essência é a veia principal. É desta máxima que
deriva meu encantamento com tudo que vejo, com o mundo desvelando pela fenda no
espaço-tempo que desfruto. Nada há então mais lindo e importante, nada mais
verdadeiro e coerente do que embriagar-me dos sentidos e ser-me em tudo que
faço, enquanto dura minha breve caminhada.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
ENSAIOS PESSOAIS: Gratidão
Tenho sentido-me tão romântico. Isso, vejo o mundo com essa aura, uma mistura de foco e desfoco que deixa tudo sutil. Parece que deslizo a ponta dos dedos na superfície da Terra, em tudo que a humanidade criou, em toda a arte e conhecimento, de forma muito delicada. Sinto fazer amor com a existência, como percorrer a pele da amante durante o sexo, com poesia.
Esse sentimento vem a mim com certo apetite, quero-o sempre mais, muito mais. Desejo ver tudo sob esta ótica, estar encantado pelas pessoas, por suas vidas desenrolando-se em frente aos olhos meus. E que eu sinta sempre com tudo que sou, profunda e suavemente, intenso e apaixonado.
A vida tornou-se um exercício de paciência. É bela demais. Generosa demais comigo. Tem colocado-me frente a situações deslumbrantes, entro em um êxtase espiritual corriqueiramente, corre entusiasmo infinito pelas veias. Não imaginava algo semelhante quando era mais jovem. Ao deixar-me levar e invadir por tal sentimento, tudo cria velocidade diferente e proporção surreal, sinto distorcer espaço e tempo através de quem sou, uma fenda por onde enxergo algo nunca visto, crio minha própria realidade.
LITERATURA: William Shakespeare (Inglaterra / 1564-1616)
"Não tenho razão alguma para
duelar com Cupido; ele não respeita estocadas, e as regras do duelo... ele nem
mesmo as leva em consideração. O que o desgraça é ser chamado de 'menino', mas
sua glória está em subjugar os homens. Adeus, coragem; pode enferrujar meu
florete; quieto, tambor, que o seu dono está amando. Ajudai-me, algum deus dos
versos extemporâneos: acho que vou criar um poema de amor. Concebe, cérebro;
escreve, pena; estou a ponto de produzir soneto em cima de soneto."
"Nele, os olhos criam a deixa
para o espírito brilhar, pois o olho vê o objeto, e o humor transforma-o em
assunto de brincadeira que, em sua bela língua, clarim de sua inteligência,
traduz-se em palavras tão hábeis e tão elegantes que os ouvidos de mais idade
deixam de lado a sisudez para ouvir suas histórias, e os ouvidos mais novinhos
deixam-se arrebatar por completo, pois é muito docemente que flui o discurso
desse homem."
William Shakespeare
"E eu aqui, um
mais-que-apaixonado bobalhão. Logo eu, que tanto chicoteei o Cupido; eu, o
guarda sempre pronto a deter um suspiro de amor; um censor; ...E eu a suspirar por ela, perdendo
o meu sono por ela, rezando por ela! Que inferno! É uma praga que Cupido me
impõe por haver menosprezado o seu todo-poderoso pavoroso pequeno poder. Pois
bem, eu vou amar, escrever poesia, escrever bilhetinhos, suspirar, rezar,
cortejar, gemer. Alguns homens amam a sua adorável dama, enquanto outros se
contentam com qualquer Joana."
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
ENSAIOS PESSOAIS: Grandiosidade da obra
Acabo de ler "O Grande Gatsby", romance escrito em 1925 de autoria do americano F. Scott. Fitzgerald, posicionado entre os clássicos da literatura contemporânea. Agrada-me bastante a linguagem e muitas descrições, o tom lúdico e subjetivo com que trata diversos assuntos e também a psique de seus personagens, bem como seus dramas e estruturas dentro no conto.
Entretanto, com tamanho talento narrativo, senti falta de algo mais, de um propósito. Algumas observações e trechos levaram-me a refletir sobre os valores da emergente riqueza americana, e, consequentemente, da nossa, que somos subproduto da cultura dos EUA. Achei ótimo! Apesar de a trama ser bem sustentada e justificada, é como se o livro não tivesse alma. Os personagens são sempre movidos por um impulso aparentemente impuro. Ao findar o livro, era como se todos fossem vazios.
Parece-me que dentre todos os atos praticados no livro, nenhum deles tenha sido feito verdadeiramente por amor. Amor pelo simples sentimento de desejar algo puro. Tive a sensação de que os impulsos e movimentos dos personagens foram motivados sempre por uma busca egocêntrica, tentar possuir algo. Possuir poder, possuir reconhecimento, possuir uma ou duas mulheres, possuir o amor.
Pus-me a pensar em alguma grande obra que houvesse inspirado-me e onde o personagem principal existisse para vivenciar o amor em sua essência, motivado pela grandiosidade de um nobre e grande feito, não para si apenas, mas para a humanidade, ou para alguém.
Lembrei de um filme belíssimo e atual, que me emociona sempre. Não consigo assisti-lo sem me desmanchar completamente. Lembro de vê-lo pela quinta ou sexta vez em companhia de minha prima e de meu pai (o cara durão), este segurou-se para não chorar, enquanto eu e ela (minha amada e heróica Martina Kunzler) ficamos em acabados. O filme é "Sete Vidas" (Seven Pounds), com Will Smith.
Não quero fazer comparações entre as obras, até porque "comparações são odiosas". O fato é que no filme o personagem tem uma causa maior que a sua própria, e usa todo o seu talento, sensibilidade e perspicácia (divinamente abundantes em seu caráter), em prol de um ato nobilíssimo. Fico completamente arrepiado ao lembrar as cenas e olhares, pois para mim representam muito.
O livro não é ruim, gostei de ler, é agradável. Mas o fiz a espera de redenção, de um ato maior. Ato que o filme representa com plenitude. Que venham à mim mais obras plenas e temas que possam iluminar meu espírito. Continuo na busca.
Entretanto, com tamanho talento narrativo, senti falta de algo mais, de um propósito. Algumas observações e trechos levaram-me a refletir sobre os valores da emergente riqueza americana, e, consequentemente, da nossa, que somos subproduto da cultura dos EUA. Achei ótimo! Apesar de a trama ser bem sustentada e justificada, é como se o livro não tivesse alma. Os personagens são sempre movidos por um impulso aparentemente impuro. Ao findar o livro, era como se todos fossem vazios.
F. Scott Fitzgerald
Parece-me que dentre todos os atos praticados no livro, nenhum deles tenha sido feito verdadeiramente por amor. Amor pelo simples sentimento de desejar algo puro. Tive a sensação de que os impulsos e movimentos dos personagens foram motivados sempre por uma busca egocêntrica, tentar possuir algo. Possuir poder, possuir reconhecimento, possuir uma ou duas mulheres, possuir o amor.
Pus-me a pensar em alguma grande obra que houvesse inspirado-me e onde o personagem principal existisse para vivenciar o amor em sua essência, motivado pela grandiosidade de um nobre e grande feito, não para si apenas, mas para a humanidade, ou para alguém.
Lembrei de um filme belíssimo e atual, que me emociona sempre. Não consigo assisti-lo sem me desmanchar completamente. Lembro de vê-lo pela quinta ou sexta vez em companhia de minha prima e de meu pai (o cara durão), este segurou-se para não chorar, enquanto eu e ela (minha amada e heróica Martina Kunzler) ficamos em acabados. O filme é "Sete Vidas" (Seven Pounds), com Will Smith.
FILME: Sete Vidas, com Will Smith
Não quero fazer comparações entre as obras, até porque "comparações são odiosas". O fato é que no filme o personagem tem uma causa maior que a sua própria, e usa todo o seu talento, sensibilidade e perspicácia (divinamente abundantes em seu caráter), em prol de um ato nobilíssimo. Fico completamente arrepiado ao lembrar as cenas e olhares, pois para mim representam muito.
O livro não é ruim, gostei de ler, é agradável. Mas o fiz a espera de redenção, de um ato maior. Ato que o filme representa com plenitude. Que venham à mim mais obras plenas e temas que possam iluminar meu espírito. Continuo na busca.
LITERATURA: F. Scott Fitzgerald (Estados Unidos / 1896 - 1940)
"Sorriu compreensivamente — muito mais do que compreensivamente. Era um desses sorrisos que tem em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez depare quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava - ou parecia encarar - todo o mundo eterno, e que depois se concentrava 'na gente' com irresistível expressão de parcialidade a nosso favor"
F. Scott Fitzgerald
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
LITERATURA: Clarice Lispector (Brasil / 1920 - 1977)
Sinto profundamente inspirado pela grande literatura. Incita uma leitura profunda da minha realidade quando a ela retorno. O mundo cria outra dimensão, mais sensível e diversa.
"Não, nem todo o tipo de lucidez é frieza."
"Não fui ao enterro. Porque nem todos morrem."
"Não, nem todo o tipo de lucidez é frieza."
"Não fui ao enterro. Porque nem todos morrem."
Clarice Lispector
ENSAIOS PESSOAIS: Sobre Amor e Sexo
Sexo é foda. Não sei ao certo se li em algum lugar essa frase, mas ela martela minha cabeça. É tudo muito complicado, as pessoas volta e meia não se entendem, os casais brigam e até às vezes fazem as pazes na cama. Porque sexo é foda demais!
"Você tem que casar com uma mulher que seja sua amiga, sua parceira", me disse um sábio amigo. Claro. Mas de preferência que ela seja muito boa de cama. Vejo alguns jovens amigos abdicando de uma vida sexual plena, aquela satisfatória, aquela vida sexual foda, e dedicarem-se a um relacionamento bonito, meigo, doce, e morno.
Vejo relacionamentos onde o casal fecha o pau direto. Fecha o tempo mesmo e parece que a porrada vai comer. Mas tem uma coisa muito forte segurando a relação. Preciso dizer? Não. É ali que a coisa flui, é ali que funciona o bagulho, na tchaca tchaca, compreende? Nestes casos, o casal esquece de que é feita uma relação harmônica entre dois seres humanos, o que importa é o Grand Finale, um orgasmo inigualável, incompreensível, nunca imaginado, mas sim, descoberto.
O que nós queremos? Simples: alguém que nos leve aos céus no amor e no sexo. Porque amor sem sexo bom é amizade. E sexo sem amizade é loucura, é bom, e ao mesmo tempo insano.
É querer demais que alguém encaixe perfeitamente em nós? Alguém que olhe de forma doce e sinta quem somos, que conheça nossas manias e até goste delas (talvez seja demais).Que conheça carinhos e palavras belas, uma pessoa generosa e sincera. Que com os olhos penetre em nosso ser e atravesse a carne comunicando sem pronunciar palavras: "Vou matar você de tesão".
E que reine sobre nosso corpo soberana, essa pessoa. Que não tenha apenas pensamentos e intenções vorazes, mas também mãos ágeis para satisfazer com perícia todos estes desejos de carne alucinada. Como uma receita da qual não nos fartamos nunca, apenas desejamos mais.
"Você tem que casar com uma mulher que seja sua amiga, sua parceira", me disse um sábio amigo. Claro. Mas de preferência que ela seja muito boa de cama. Vejo alguns jovens amigos abdicando de uma vida sexual plena, aquela satisfatória, aquela vida sexual foda, e dedicarem-se a um relacionamento bonito, meigo, doce, e morno.
Vejo relacionamentos onde o casal fecha o pau direto. Fecha o tempo mesmo e parece que a porrada vai comer. Mas tem uma coisa muito forte segurando a relação. Preciso dizer? Não. É ali que a coisa flui, é ali que funciona o bagulho, na tchaca tchaca, compreende? Nestes casos, o casal esquece de que é feita uma relação harmônica entre dois seres humanos, o que importa é o Grand Finale, um orgasmo inigualável, incompreensível, nunca imaginado, mas sim, descoberto.
O que nós queremos? Simples: alguém que nos leve aos céus no amor e no sexo. Porque amor sem sexo bom é amizade. E sexo sem amizade é loucura, é bom, e ao mesmo tempo insano.
É querer demais que alguém encaixe perfeitamente em nós? Alguém que olhe de forma doce e sinta quem somos, que conheça nossas manias e até goste delas (talvez seja demais).Que conheça carinhos e palavras belas, uma pessoa generosa e sincera. Que com os olhos penetre em nosso ser e atravesse a carne comunicando sem pronunciar palavras: "Vou matar você de tesão".
E que reine sobre nosso corpo soberana, essa pessoa. Que não tenha apenas pensamentos e intenções vorazes, mas também mãos ágeis para satisfazer com perícia todos estes desejos de carne alucinada. Como uma receita da qual não nos fartamos nunca, apenas desejamos mais.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
METAFÍSICA: Fritjof Capra (Áustria / 1939 - hoje)
O
PONTO DE MUTAÇÃO pg.389
Regressar a
uma escala mais humana não significará um retorno ao passado, mas exigirá, pelo
contrário, o desenvolvimento de novas e engenhosas formas de tecnologia e
organização social. Grande parte da nossa tecnologia convencional, consumidora
intensiva de recursos e altamente centralizada, é hoje obsoleta. Energia
nuclear, carros de alto consumo de gasolina, agricultura subsidiada pelo
petróleo, instrumentos computadorizados de diagnóstico e muitos outros
empreendimentos de alta tecnologia são antiecológicos, inflacionários e
perniciosos para a saúde. Elas devem ser substituídas por novas formas de
tecnologia, que incorporem princípios ecológicos e sejam compatíveis com o novo
sistema de valores.
Muitas
destas tecnologias alternativas já estão sendo desenvolvidas. Tendem a ser
descentralizadas e tendem a operar em pequena escala, a ser sensíveis às
condições locais e planejadas para aumentar a auto-suficiência, propiciando,
assim, um grau máximo de flexibilidade. São frequentemente qualificadas de
tecnologias brandas, porque seu impacto sobre o meio ambiente é
substancialmente reduzido pelo uso de recursos renováveis e por uma constante
reciclagem de materiais. Coletores de energia solar, geradores eólicos, lavoura
orgânica, produção e processamento regional e local de alimentos, e reciclagem
de produtos residuais, são exemplos de tais tecnologias brandas. Elas
incorporam os princípios observados nos ecossistemas naturais; refletem, pois,
a sabedoria sistêmica. Como observou Schumacher, “a sabedoria exige uma nova
orientação da ciência e da tecnologia para o orgânico, para o moderado, o
não-violento, o elegante e o belo”. Tal direcionamento da tecnologia oferece
enormes oportunidades para a criatividade, o espírito empreendedor e a
iniciativa da humanidade. As novas tecnologias não são, em absoluto, menos
sofisticadas que as antigas, mas seu refinamento é de uma espécie diferente.
Aumentar a complexidade deixando simplesmente que tudo cresça não é difícil,
mas recuperar elegância e flexibilidade requer sabedoria e visão criativa.
À medida
que nossos recursos físicos se tornam cada vez mais escassos, também se
evidencia que devemos investir mais nas pessoas – o único recurso que possuímos
em abundância. Com efeito, a consciência ecológica torna óbvio que temos que
conservar nossos recursos físicos e desenvolver nossos recursos humanos. Em
outras palavras, o equilíbrio ecológico requer pleno emprego. É isso,
precisamente, o que novas tecnologias facilitam. Operando em pequena escala e
sendo descentralizadas, elas tendem a se tornar consumidoras intensivas de
mão-de-obra, ajudando, portanto, a estabelecer um sistema econômico não
inflacionário e ambientalmente benigno.
A mudança de tecnologias pesadas para brandas é
mais urgentemente necessária nas áreas relacionadas com a produção de energia.
As raízes mais profundas de nossa atual crise energética situam-se nos modelos
de produção e consumo perdulário que se tornam característicos de nossa
sociedade. Para resolver a crise não precisamos de mais energia, o que apenas
agravaria nossos problemas, mas de profundas mudanças em nossos valores,
atitudes e estilos de vida. Entretanto, ao mesmo tempo em que perseguimos esta
meta a longo prazo, também devemos mudar nossa produção de energia dos recursos
não renováveis para os renováveis, e das tecnologias pesadas para as brandas, a
fim de alcançarmos o equilíbrio ecológico.
terça-feira, 30 de julho de 2013
FILOSOFIA: Deepak Chopra (Índia / 1946-hoje)
"O ego toma tudo pessoalmente, o que acaba sendo um grande obstáculo; a experiência está acontecendo para "mim". O budismo dispende muito tempo tentando dissipar a ideia de que este "mim" tenha algum direito de reivindicar a experiência. Em vez disso, dizem os budistas, a experiência se desenrola por si própria, e você, como experimentador, é sempre um canal. Dessa forma produzimos formulações do tipo "o pensamento é o pensamento em si". Pode ser desconcertante desenredar as complexidades de uma afirmação tão simples como "ser é", ou "o dançarino é a dança". Ainda assim, o ponto essencial é pratico: quanto menos você tomar a sua vida pessoalmente, maior a facilidade com que ela fluirá através de você. Aguardar com tranqüilidade funciona. Aguardar com ansiedade não funciona. Nem tampouco assumindo que cada experiência o eleva ou derruba. O fluxo da vida não seleciona em colunas de mais ou menos. Tudo tem seu próprio valor intrínseco, medido em energia, criatividade, inteligência e amor. Para encontrar esses valores, a pessoa deve parar de inquirir "que bem isso pode me fazer?". Em vez disso, você atesta o que acontece, deslumbrando-se com tudo."
Deepak Chopra
sexta-feira, 26 de julho de 2013
LITERATURA: Isabel Allende (Peru/Chile / 1942-hoje)
"No que se refere à alimentação e à sexualidade, a natureza exige um mínimo, bastante simples, destinado à preservação do indivíduo e da espécie; o resto são ornamentos ou subterfúgios que inventamos para festejar a vida. A imaginação é um demônio persistente, e sem ela o mundo seria branco e preto, viveríamos em um paraíso de militares, fundamentalistas e burocratas, em que a energia hoje investida na boa mesa e no bom amor seria destinada a outros fins, como matar uns aos outros com maior disciplina. Se nos alimentássemos apenas de frutas silvestres e copulássemos com a inocência dos coelhos, pouparíamos muita literatura sobre esses temas, milhares de arvores escapariam da fatalidade de se transformarem em polpa e os sete pecados capitais não incluiriam a luxuria e a gula, e com isso aumentaria significativamente o número de almas no Paraíso. Mas a natureza nos dotou - ou nos maldisse - de um cérebro insaciável, capaz de imaginar não só todo tipo de comidas maravilhosas e variantes amorosas, como também as culpas e castigos correspondentes."
Isabel Allende
sábado, 2 de março de 2013
FILOSOFIA: Bruce Lee (China/Estados Unidos / 1940-1973)
"O maior engano é antecipar o desenlance da luta.
Não pense na vitória ou na derrota.
Deixe que as coisas aconteçam.
E tudo se enquadrará no momento certo.
Estar consciente de si mesmo é um dos piores obstáculos.
Deve-se esquecer a habilidade adquirida para obter perícia.
Para transcender o Karma, deve-se saber usar a mente e a vontade."
Bruce Lee
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
LITERATURA: Virgil Gheorghiu (Romênia / 1916 - 1992)
"Os 'cidadãos' não vivem nos matos nem na selva, mas nos escritórios; contudo são mais cruéis que os animais ferozes da selva; nasceram do cruzamento do homem com as máquinas. É uma espécie bastarda, a raça mais poderosa atualmente em toda a superfície da terra. Os seus rostos parecem-se com os dos homens, e muitas vezes até arriascamo-nos a confundi-los com eles, mas percebemos imediatamente que não se comportam como homens, senão como máquinas; em vez de coração, tem cronômetros... são cidadãos... estranho cruzamento. Invadiram toda a terra".
"Uma sociedade tecnocratizada não pode criar espírito e está por consequência, lançada aos monstros".
Virgil Gheorghiu
sábado, 1 de dezembro de 2012
ENSAIOS PESSOAIS: De que adianta?
“Que diferença isso fará para a Terra? E que diferença isso fará para o Universo?” Estas duas perguntas vieram a mim como respostas, ironicamente, através da fala de um amigo, que escutava minhas queixas pacientemente. O contexto? Um sonho ‘tolo’ sobre fazer diferença e operar uma mudança, buscar a evolução.
Estamos em sete bilhões de humanos, aproximadamente... um número enorme. A Terra tem 4.5 bilhões de anos (voltas em torno do Sol), e nossa existência como Homo sapiens data de 35 mil anos. Essa espécie perambula sobre a crosta terrestre há apenas 0,0000077% de toda a existência do planeta. Em meados de 1.600 A.C os primeiros carros com rodas (carroças) andavam a uma velocidade de 30 km/h. Em 1850 as primeiras locomotivas ainda arrastavam-se a aproximadamente 50 km/h. Nos últimos 150 anos as coisas tomaram proporções inimagináveis. Hoje os satélites viajam a 30 mil km/h em órbita da Terra. Ao transportar estes dados para um gráfico, vemos uma apática linha horizontal que torna-se abrupta e vertiginosamente uma linha quase vertical!
De repente tudo tornou-se hiper. Criamos milhares de artefatos tecnológicos, remédios, parques de diversão, automóveis caros e luxuosos e relógios pomposos que medem o tempo como quaisquer outros. Empreendemos uma jornada material e constantemente vemos as pessoas (seres da nossa mesma espécie) preocupados com a conquista exclusiva do mundo físico, como se fosse esta a última finalidade da vida: possuir. Na década de noventa os gastos militares mundiais somavam um trilhão de dólares ao ano. Uma considerável quantia. Para “proteger” quem? De quê? Não ouso afirmar que existe um limite para a capacidade criativa (ou destrutiva) dos homens, mas acredito que estamos cada vez mais próximos de descobrir. Na verdade, chego mesmo à conclusão de que criamos distrações demais para nos desviar do verdadeiro significado da vida.
UMA GRANDE SURUBA
“Todo mundo tem dois pais, quatro avós, oito bisavós, dezesseis trisavós etc. A cada geração que retrocedemos, temos duas vezes mais antepassados em linha direta. Se cada geração tem, vamos dizer, 25 anos, 64 gerações atrás equivalem a 64 X 25 = 1600 anos atrás, isto é, pouco antes da queda do Império Romano. Assim, cada um de nós que está vivo hoje tinha, no ano 400, uns 18,5 quintilões de ancestrais - ou é o que parece. E isso sem falar nos parentes colaterais. Mas é muito mais que a população da Terra, então ou agora; é muito mais que o número de seres humanos que já viveram. Alguma coisa está errada com o nosso cálculo. O quê? Bem, supusemos que todos esses ancestrais em linha direta fossem pessoas diferentes. Mas, claro, não é o caso. O mesmo ancestral está relacionado conosco por muitas linhas diferentes. Somos repetida e multiplamente ligados a cada um de nossos parentes - um imenso número de vezes, no caso dos parentes mais distantes. Se retrocedermos bastante, quaisquer duas pessoas sobre a Terra têm um ancestral em comum.” (Carl Sagan)
*As informações utilizadas como base de dados para este texto foram retiradas de três livros geniais escritos por brilhantes cientistas:
- A Teia da Vida, de Fritjof Capra (1996)
- O Choque do Futuro, de Alvin Toffler (1971)
- Bilhões e Bilhões, de Carl Sagan (1997)
domingo, 23 de setembro de 2012
METAFÍSICA: Fritjof Capra (Áustria / 1939 - hoje)
O
empobrecimento espiritual e a perda da diversidade cultural por efeito do uso
excessivo de computadores é especialmente sério no campo da educação. Como Neil
Postman comentou de maneira sucinta: “Quando um computador é utilizado para
aprendizagem, o significado de ‘aprendizagem’ muda.” O uso de computadores na educação é, com
freqüência, saudado como uma revolução que transformará todas as facetas do
processo educacional. Essa visão é vigorosamente promovida pela poderosa
indústria de computadores, que encoraja os professores a utilizarem computadores como ferramentas educacionais em
todos os níveis – até mesmo no jardim-de-infância e no período pré-escolar! –
sem sequer mencionar os muitos efeitos nocivos que podem resultar dessas
práticas irresponsáveis.
O
uso de computadores nas escolas baseia-se na visão, hoje obsoleta, dos seres
humanos como processadores de informações, o que reforça continuamente
concepções mecanicistas errôneas sobre o pensamento, enquanto que, na realidade, a mente humana pensa com idéias
e não com informações. Como Theodore Roszak mostra detalhadamente em The Cult
of Information, as informações não criam idéias; as idéias criam informações.
Idéias são padrões integrativos que não derivam da informação, mas sim, da
experiência.
(trecho de conclusão da segunda parte do livro A TEIA DA VIDA)
Fritjof Capra
sexta-feira, 27 de julho de 2012
FILOSOFIA: Friedrich Nietzsche (ALEMANHA / 1844 - 1900
Friedrich Nietzsche
"Do novo ídolo
- Nalguns lugares há ainda povos e rebanhos, mas não entre nós, meus irmãos; entre nós há Estados.
- Estado? Que é isso? Vamos! Apurai os ouvidos, porque agora vou falar-vos da morte dos povos.
- Estado é o nome do mais frio de todos os monstros gelados. Aliás, ele mente duma maneira fria e a mentira que sai da sua boca é esta: 'Eu, o Estado, sou o povo' .
- Mentira! Eram criadores aqueles que criaram os povos e por cima deles suspenderam uma fé e um amor: deste modo serviam a vida.
- São destruidores aqueles que armam ciladas à multidão e chamam a isso Estado: suspendem por cima deles uma espada e cem cobiças
- No lugar onde ainda existe um povo, este não tolera o Estado e odeia-o como um mau-olhado, como um pecado contra os costumes e o direito.
- Dou-vos este sinal: cada povo fala a sua língua acerca do bem e do mal: o vizinho não a compreende. Inventou a sua linguagem nos costumes e no direito.
- Mas o Estado mente em todas as línguas acerca do bem e do mal; tudo o que ele diga é mentira - tudo o que ele tenha é roubo.
- Nele tudo é falso: morde com dentes roubados, o cão malvado. Até as suas entranhas são falsas.
- Confusão das línguas do bem e do mal: dou-vos este sinal como sinal do Estado. Na verdade, este sinal quer dizer vontade de morte! Na verdade, ele chama os pregadores da morte!
- Demasiados homens vêm ao mundo: o Estado foi inventado para supérfluos!
- Vede, pois, como os atrai, àqueles que estão a mais! Como ele os engole, os mastiga e os rumina!
- 'Nada há maior do que eu sobre a terra: sou o dedo soberano de Deus' - assim ruge o monstro. E não são unicamente os de grande orelhas e de vista curta que se põem de joelhos!
- Oh! Também a vós, almas grandes, ele murmura sombrias mentiras! Oh! Como ele adivinha os corações ricos que gostam de fazer prodigalidades!
- Até mesmo a vós vos adivinha vencedores do velho deus! O combate fatigou-vos e agora essa fadiga serve para o novo ídolo!
- Esse novo ídolo desejaria rodear-se de heróis e de homens honrados! Gosta de se aquecer ao sol da boa consciência - o frio monstro!
- O novo ídolo dar-vos-á tudo se vós o adorais: é desse modo que compra o brilho da vossa virtude e o vosso olhar altivo
- Através de vós quer atrair aqueles que estão a mais! Trata-se da invenção duma marcha infernal, dum cavalo-de-batalha da morte tilintando sob os arreios das honras divinas!
- De facto, é a invenção duma morte para a maioria, duma morte que se vangloria a si própria de ser a vida: na realidade, um serviço prestado a todos os pregadores da morte!
- Dou o nome de Estado ao lugar em que todos, bons e maus, se perdem a si mesmos; Estado, o lugar em que o lento suicídio de todos se chama 'a vida'.
- Vede, pois, esses que estão a mais! Apropriam-se das obras dos inventores e dos tesouros dos sábios. Chamam ao seu roubo cultura e tudo para eles se torna em doença e males.
- Vede, pois, esses que estão a mais! Estão sempre doentes, vomitam a sua bílis, e a isso chamam jornal. Devoram-se uns aos outros e nem sequer se podem digerir.
- Vede, pois, esses que estão a mais! adquirem riquezas e só conseguem tornar-se mais pobres. Esses impotentes querem o poder e, antes de todo o resto, a alavanca do poder, ou seja, muito dinheiro!
- Vede-os trepar esses ágeis macacos! Sobem uns por cima dos outros e empurram-se para a lama e para o abismo.
- Querem aproximar-se todos do trono: é essa a sua loucura - como se a felicidade estivesse no trono! Muitas vezes é a lama que está no trono ou então é o trono que assenta na lama. Aos meus olhos, são todos loucos, macacos trepadores e pessoas febris. O monstro frio, o seu ídolo, cheira mal: todos esses idólatras cheiram mal.
- Quereis sufocar no meio das exalações das suas gargantas e dos seus apetites, meus irmãos? Mais vale quebrardes as janelas e saltardes para fora.
- Evitai o mau cheiro! Afastai-vos da idolatria dos supérfluos!
- Evitai o mau cheiro! Afastai-vos do fumo desses sacrifícios humanos!
- Apesar de tudo, a terra agora ainda está livre para as grandes almas. Há ainda muitos lugares vazios para aqueles que estão sozinhos ou que têm a sua solidão a dois, lugares onde sopra o dor dos mares silenciosos.
- Há ainda uma vida livre para as grandes almas. Na verdade, quem pouco possui também pouco é possuído: abençoada seja a pequena pobreza!
- Precisamente onde termina o Estado começa o homem que não está a mais: aí começa o cântico da necessidade, a melodia única e incomparável.
Olhai bem, portanto, meus irmãos, para onde termina o Estado! Não vedes o arco-íris e a ponte do Super-Homem?
Assim falava Zaratrustra."
Trecho do livro "Assim falou Zarastustra"
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